ENCONTROS & REENCONTROS
Péricles Lima - Almir Ferreira
Encontros, reencontros de reminiscências
Vivências, saudades e felicidades
Vividas adquiridas na nossa infância
São histórias da vida gravadas na nossa lembrança.
Foi na força da fé amizade alegria paz e união
Superamos barreiras vitórias conquistas e haja emoção
Vamos extravasar na certeza da missão cumprida
Vale a pena lembrar trechinhos de nossas vidas
Ai que saudade que eu tenho da aurora da minha vida
Da nossa infância querida
Que os anos não trazem mais
Passeio público, Aflitos,
Os babas ganhos no grito
Arraias e periquitos
E a bronca dos nossos pais.
Ai que saudade que eu tenho da aurora da minha vida
Da nossa infância querida
Que os anos não trazem mais
Nadar na praia do Unhão
E hoje sabem os senhores
Relembram cheio de amores
Memórias do coração.
terça-feira, 21 de agosto de 2007
GAMBOA
A Praia da Gamboa se situa abaixo da Av. Contorno, no bairro do mesmo nome, e dista cerca de 1,5 km do centro.
A palavra Gamboa significa cercado feito de galhos à entrada dos estuários para apanhar peixes.
O acesso a esta praia se localiza ao lado do tradicional Solar do Unhão, construído no século XVII e onde atualmente funciona o Museu de Arte Moderna da Bahia, com um acervo de arte contemporânea e com exposições periódicas de artistas nacional e internacionalmente consagrados. Às margens de uma pequena enseada, a Praia da Gamboa é bastante procurada pelos mergulhadores e moradores da região.As águas são tranquilas em toda a sua extensão, existindo apenas uma pequena e estreita faixa de areia sem infra-estrutura turística. Apresenta uma belíssima visão panorâmica da Cidade e da Baía de Todos os Santos, especialmente a partir do Solar do Unhão.Nesta praia, Diogo Álvares Correia (Caramuru) morou por volta do ano de 1535. Viveram também neste local alguns europeus náufragos, um grupo de missionários e alguns indígenas.
A palavra Gamboa significa cercado feito de galhos à entrada dos estuários para apanhar peixes.
O acesso a esta praia se localiza ao lado do tradicional Solar do Unhão, construído no século XVII e onde atualmente funciona o Museu de Arte Moderna da Bahia, com um acervo de arte contemporânea e com exposições periódicas de artistas nacional e internacionalmente consagrados. Às margens de uma pequena enseada, a Praia da Gamboa é bastante procurada pelos mergulhadores e moradores da região.As águas são tranquilas em toda a sua extensão, existindo apenas uma pequena e estreita faixa de areia sem infra-estrutura turística. Apresenta uma belíssima visão panorâmica da Cidade e da Baía de Todos os Santos, especialmente a partir do Solar do Unhão.Nesta praia, Diogo Álvares Correia (Caramuru) morou por volta do ano de 1535. Viveram também neste local alguns europeus náufragos, um grupo de missionários e alguns indígenas.
domingo, 17 de dezembro de 2006
Músicas criadas para o encontro de 2006
ENCONTRO DE UMA SAUDADE
(Ivan Barboza / Almir Ferreira)
Ao lhe encontrar,
Quero o abraçar,
Saber como vai, amigo ?
Por qualquer lugar que ande
faz-me relembrar de antes
Aqui é, como estarmos sempre
sem estar, Aflitos
Ao reencontrar,
Juntos num só lugar,
Cumprimentar meus amigos,
Se alguma falta entristece
Logo um prazer alvorece,
Assim ser feliz é um ofício
Se os caminhos da vida
Nos separou por momentos
Ao meditar com saudades
Unimos nossos pensamentos
Pelas lembranças de outrora
Bons tempos que não esqueci
A verdadeira amizade se refaz aqui
Amigos !
******************************************
DAQUI DE CIMA (Mirante)
(Ivan Barboza)
Mãinha, eu ‘tou bem aqui
Não precisa se preocupar
É que do muro se vê
Um menino no meio do mar
Vem ver um menino no mar.
Vem ver lá no meio do mar
A Ladeira me levou
Descendo e subindo carregando amor
No coração a minha paz
Quando a igreja me chamou,
Badalando o sino, pedí ao senhor
Abençoe os nossos pais.
E o quartel testemunhou
Jogar bola na rua e correr da policia
São lembranças de rapaz
Vem ver um menino no mar.
Vem ver lá no meio do mar
Onde está a sua irmã
Está fazendo bandeirola
Que a noite vai ter caruru e aruá
Muito samba de roda
Pode quebrar o pote,
E de quebra, pode levar o que apanhar,
Pode puxar o cabo de guerra,
Pode subir prá escorregar.
(Ivan Barboza / Almir Ferreira)
Ao lhe encontrar,
Quero o abraçar,
Saber como vai, amigo ?
Por qualquer lugar que ande
faz-me relembrar de antes
Aqui é, como estarmos sempre
sem estar, Aflitos
Ao reencontrar,
Juntos num só lugar,
Cumprimentar meus amigos,
Se alguma falta entristece
Logo um prazer alvorece,
Assim ser feliz é um ofício
Se os caminhos da vida
Nos separou por momentos
Ao meditar com saudades
Unimos nossos pensamentos
Pelas lembranças de outrora
Bons tempos que não esqueci
A verdadeira amizade se refaz aqui
Amigos !
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DAQUI DE CIMA (Mirante)
(Ivan Barboza)
Mãinha, eu ‘tou bem aqui
Não precisa se preocupar
É que do muro se vê
Um menino no meio do mar
Vem ver um menino no mar.
Vem ver lá no meio do mar
A Ladeira me levou
Descendo e subindo carregando amor
No coração a minha paz
Quando a igreja me chamou,
Badalando o sino, pedí ao senhor
Abençoe os nossos pais.
E o quartel testemunhou
Jogar bola na rua e correr da policia
São lembranças de rapaz
Vem ver um menino no mar.
Vem ver lá no meio do mar
Onde está a sua irmã
Está fazendo bandeirola
Que a noite vai ter caruru e aruá
Muito samba de roda
Pode quebrar o pote,
E de quebra, pode levar o que apanhar,
Pode puxar o cabo de guerra,
Pode subir prá escorregar.
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Campo Grande-Praça da Sé, um trajeto de lembranças
Jornal A tarde – 22.08.90 Chico Ribeiro Neto
Sem pegar o ônibus circular, mas andando no bonde da lembrança, faço um percurso do Campo à Sé, uma trajetória da infância, amor e fé.
Sem pegar o ônibus circular, mas andando no bonde da lembrança, faço um percurso do Campo à Sé, uma trajetória da infância, amor e fé.
No campo Grande vejo as tardes fogosas do Dois de Julho, quando as meninas recém- tomadas banho balançavam os rabos-de-cavalo dentro dos meus olhos.Zezéu, um candidato, pertencia a turma do Campo Grande e um dia quase brigamos com eles. Coisa de turma de rua, onde um assobio errado era motivo pra chamar porrada.
Muita gente ainda vem do Campo Grande, como as festas dançantes do Cruz Vermelha ou a cerveja no "Brasa", mas já estou passando pelo Forte de São Pedro, onde a feira mudou para o outro lado. Já se não tropeça mais em peixe, e foi ali uma vez carne de cavalo por carne-de-sol. Quando botei na frigideira espumou tudo.
Vem a antiga Manon – onde se tomava um suco de laranja de madrugada, era um acontecimento – e chego perto das mercês, defronte ao 239, o velho pensionato onde cheguei com seis anos e acordava com os primeiros bondes. Dobrando uma esquina, caía no Politeama, bom lugar pro"baba" e onde e onde uma vez quase ganhamos pra "Escolhinha", time que tinha o futuro André Catimba, já Catimbeiro.
Aproxima-se o Rosário que, talvez, por ser pequeno, sempre achei um trecho tranqüilo. A maior lembrança do Rosário é a banca de maçã na esquina. Logo, adiante o Clube Comercial, de grandes festas, coração palpitante ao dançar com as primas que me ensinavam os primeiros passos. Festas de radiola, parou, têm que virar o disco.
Lá vem à Piedade, a qual pertencia o meu irmão mais velho, Luiz e eu nem podia chegar perto: "Vá pra casa que estar na hora". Boa de briga, a turma da Piedade acontecia nos Fantoches, mas aprontava mesmo no sábado de noite e domingo de tarde, na própria praça. Muitos da turma já eram conhecidos dos policiais: "Você de novo!".
Instituto Histórico, onde fazia pesquisas às 2 horas da tarde, morrendo de sono. Um pouco adiante, a loja das "mil Meias", um nome mais ou menos assim, e então a esquina da Primavera, sorvete da Kombi do sino. Exatamente defronte à Florensilva, do lado de cá, um murinho que sempre teve encanador.
Defronte do relógio de São Pedro, a pensão de Dona Quinquinha, grande escadaria que nos levava em cheio a um quadro de Iemanjá. Já acordava no coração da cidade. Era escovar os dentes e descer e entrar no ritmo, Foi ali, perto do Relógio, que brilhou uma namorada de Carnaval.
Antes de pegar o caminho de São Bento, uma paradinha junto a um banco em volta da árvore. Ali ficava o velho que nos vendia pedaços de filme para olhar no monóculo.
Rua do Paraíso, onde trabalhei na Tipografia São Bento, dobrando folhas de missal, e depois o Ginásio São Bento, onde fiquei cinco anos, seno um do antigo ano com "prova de admissão". Vêm as imagens do ginásio: jambo roubados, tamarindo, o "baba" de tarde, a coca sorvida de um só gole e o quebra-queixo comprado na Avenida Sete para distrai a fome.
Desço a ladeira de São Bento e sinto medo de cair no chão, empurrado pelos foliões do primeiro trio elétrico que vi. Já contaminado, fazer o balão na Carlos Gomes, e depois voltar com o trio até os Aflitos, suado e feliz. O Campo Grande leva o Carnaval e a Carlos Gomes traz de volta. Antes subíamos até a Sé.
Sempre pensei no dia em que aquelas bolas do Sulacap iam descer a ladeira da Montanha. A lembrança do pastel chinês da Carlos Gomes e da" Winchester", ambos destruídos para alargar a rua. A montanha dos primeiros amores, o caminhão que servia comida de madrugada (grande lombo!) e os camelôs do peixe–elétrico. Poucos, na verdade, poucos mendigos.
Lembro depois vinha o prédio de A TARDE. Ainda não sabia o trabalho que dava para produzir pra produzir notícia e nem que um dia para dentro dela. Achava bonito aqueles caras de papel na mão sempre agitados. Subo a Ajuda jogando as pernas devagar, escorregando nas lembranças. Aliás, sempre tinha um pouco água escorrendo de algum lugar.
"Lembro do primeiro "frescão" que a Vibemsa" colocou e da rodomoça falando pelo microfone, lá na Vitória: "Senhores passageiros, bom dia. Os senhores estão a bordo de uma rodonave da Vibemsa, que deverá fazer o percurso Barra-Praça da Sé em aproximadamente 15 minutos. Boa Viagem" Você se sentia num Boeing.
Vejo a padaria que comprava doce de jenipapo com tirinhas e vai chegando a Praça da Sé. Bar Brasil Brasil, Cine Excelsior, amendoim torrado com areia, baleiro, laranja descascada, abará azedo, música alta e o meu ônibus chegando.
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P.S: Chico morava no nº53 da ladeira dos Aflitos, irmão de Leonam, Zé Carlos, Luís e William. Foi subeditor geral, responsável pelo fechamento da primeira página e outras coisas mais.
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Amigo Chico,
É o com imenso prazer que transcrevo do seu livro Qualé meu tio? Memória Afetiva da Bahia, pra a turma da confraria amigos dos aflitos e adjacências. Cadê você, apareça para nos brindar com sua presença e com outras memórias do seu livro.
Géo Beleza. Novembro 2006
quarta-feira, 24 de abril de 2002
SOCOS NO AR
Salvador, quarta-feira, 24/04/2002 A TARDE
Samir dava socos no ar e fumava cachimbo como ninguém.
Dizem que ele tinha sido lutador de boxe. Por apanhar demais, ficou assim. "Tomou murro demais na cabeça e, aí, ficou desse jeito"
- Samir, como era que você fazia ?
Nem precisava terminar a pergunta e ele passava rápido o cachimbo para o bolso da folgada calça, sorria rápido e feliz e dava os golpes de jabs, cruzados de direita, de esquerda, poderosos socos no ar que deixavam minha turma contente: Zoinho, Biúca, Tristeza, Pé de Valsa, Leonam, Gaguinho, Zarara e Cobra D'Água e os outros meus amigos da Rua Gabriel Soares e Ladeira dos Aflitos, todos com 10 ou 12 anos.
Samir, que morava com parentes, ia quase todo dia à feira do Largo 2 de Julho. Duas sacolas na mão e o cachimbo na boca. Mas, era só a gente pedir que Samir largava sacolas na mão e o cachimbo e subia ao "ringue". Ele golpeava, girava, batia com a direita, esquivava, batia com a esquerda, direita de novo, os dois murros de vez, e a gente "aê, Samir, valeu".Eu admirava Samir, enquanto olhava as pernas de Tânia sentada no batente.
Aquilo durava um round, no máximo, mas o suficiente para Samir sorrir, praticamente sem dentes, e inchar-se de orgulho. Mais forte, retomava as duas sacolas de compras e o cachimbo.
Hoje, lendo um texto de Deepak Chopra sobre Técnicas para Reduzir o Stress, vejo no item sobre liberação emocional: "As emoções destinam-se a ser liberadas e descarregadas, não acumuladas. Se a sua emoção for negativa - tristeza, raiva, medo - entre sózinho num aposento e deixe-a sair em isolamento, ao invés de dirigi-la aos outros. Métodos produtivos: fazer alongamento, correr no local, respirar ofegantemente, gritar, representar a emoção dizendo aquilo que você não conseguiu dizer antes, esbravejar contra um travesseiro, boxear com um adversário imaginário".
Samir tinha razão.
Chico Ribeiro Neto
Samir dava socos no ar e fumava cachimbo como ninguém.
Dizem que ele tinha sido lutador de boxe. Por apanhar demais, ficou assim. "Tomou murro demais na cabeça e, aí, ficou desse jeito"
- Samir, como era que você fazia ?
Nem precisava terminar a pergunta e ele passava rápido o cachimbo para o bolso da folgada calça, sorria rápido e feliz e dava os golpes de jabs, cruzados de direita, de esquerda, poderosos socos no ar que deixavam minha turma contente: Zoinho, Biúca, Tristeza, Pé de Valsa, Leonam, Gaguinho, Zarara e Cobra D'Água e os outros meus amigos da Rua Gabriel Soares e Ladeira dos Aflitos, todos com 10 ou 12 anos.
Samir, que morava com parentes, ia quase todo dia à feira do Largo 2 de Julho. Duas sacolas na mão e o cachimbo na boca. Mas, era só a gente pedir que Samir largava sacolas na mão e o cachimbo e subia ao "ringue". Ele golpeava, girava, batia com a direita, esquivava, batia com a esquerda, direita de novo, os dois murros de vez, e a gente "aê, Samir, valeu".Eu admirava Samir, enquanto olhava as pernas de Tânia sentada no batente.
Aquilo durava um round, no máximo, mas o suficiente para Samir sorrir, praticamente sem dentes, e inchar-se de orgulho. Mais forte, retomava as duas sacolas de compras e o cachimbo.
Hoje, lendo um texto de Deepak Chopra sobre Técnicas para Reduzir o Stress, vejo no item sobre liberação emocional: "As emoções destinam-se a ser liberadas e descarregadas, não acumuladas. Se a sua emoção for negativa - tristeza, raiva, medo - entre sózinho num aposento e deixe-a sair em isolamento, ao invés de dirigi-la aos outros. Métodos produtivos: fazer alongamento, correr no local, respirar ofegantemente, gritar, representar a emoção dizendo aquilo que você não conseguiu dizer antes, esbravejar contra um travesseiro, boxear com um adversário imaginário".
Samir tinha razão.
Chico Ribeiro Neto
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